This entry was posted on 19/04/2008 at 23:05 and is filed under B&W.
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Era exímio na arte de bem cuidar do jardim.
Tantas vezes o iam encontrar ajoelhado, acariciando uma folha, roçando a pontinha do dedo indicador com cuidado sobre a face da pétala de uma rosa.
Ao fim da tarde, no Verão, quando o sol já não apertava, a senhora descia e vinha sentar-se no banco, e por ali ficava.
Por vezes permanecia calada, tricotando a vida que passara, desfazendo uns pontos, passajando outros.
Ele sabia que ela gostava de se sentar ali, de olhar as flores.
Na hora de retornar a casa, ia acordá-la, de mansinho, dizendo que já estava anoitecendo e que ela se poderia constipar.
A velha senhora levantava-se, subia as escadas e desaparecia, sem nunca antes deixar de lhe fazer um aceno, aquele “amanhã eu venho” de que ele gostava tanto, tanto!
Outras vezes? Outras vezes ela estava faladora e fazia perguntas que o faziam contar mil e tantas histórias das suas “princesas”!
-Olha, já viste? Aquela está mais murchita!
-Não, minha senhora! Ela está é a pensar na melhor forma de me convencer a mudá-la de sítio…
-Disparate! As flores não pensam! Eu estou a ficar velhota, mas olha que tu não me ficas atrás! Triste porque quer mudar de sítio! Tens cada uma!…
-É verdade! Não vê que ali, naquele outro canteiro, está um girassol que não deixa de a olhar?
-Ai! Não querem lá ver? Agora as flores também se perdem de amores?
E era ver os dois a conversar.
Depois ela voltava para o seu mundo, sentada no banquinho e ficava a olhar, de olhos postos no longe…
O jardineiro continuava na sua lida e lá conversava com a sua “menina” e convencia-a que tinha que ficar naquele espaço um pouquinho mais, para que as suas filhinhas crescessem…
-Ah! Que linda! Matizada! Nunca tinha visto uma rosa assim! Mas aqui à volta só há rosas vermelhas! Como pode esta ter saído assim?
-Pois é, senhora! Sabe lá o que elas são capazes de fazer por baixo da terra!…
E sorria, maroto.
-Quer que a corte e leva-a para a por numa jarra?
-Não! Nem penses! Sabes que aqui é que elas estão bem.
Lá em cima morreriam, tal como eu, quando subo a escada, ao cair da noite…
O velho jardineiro olhou-a. Há muito que não a vinham visitar. Chegara a conversar com a mulher, em casa, como seria que ela se arranjaria, assim, tão só?
Havia dispensado a criada, os filhos nunca mais vieram e do senhor…apenas o lenço que ela trazia sempre preso com um alfinete, como se fosse uma jóia.
-Mas nunca lhe perguntaste nada sobre isso?
-Aquela senhora é de pouca conversa. Vive naquele casarão, e desde que o senhor se foi, a alegria desapareceu dos olhos dela. Chego a perguntar-me o que irá ser de tudo quando ela se for.
-Mas paga-te bem! Terá por certo quem cuide dela, dos dinheiros. E olha que não terá pouco, a ver pelo tamanho da casa, do sítio onde está.
-Pois se há, eu nunca vi por ali ninguém! E deixa-me ir, que já vão sendo horas e tenho a sebe para aparar.
Havia muitos carros estacionados defronte da casa.
Gente que ele nunca tinha visto, muita criança a passear pelo jardim, as janelas abertas e uns homens a conversar, a gesticular até que um lhe veio perguntar quem ele era.
-Trato deste jardim há um bom par de anos e como podem ver, tenho o maior orgulho nas minhas plantas.
-Que saibamos as plantas não são suas!
-Maneira de falar! A senhora sempre me dizia que achava que eu cuidava tão bem das rosas que pareciam ser minhas!
-Pois, mas a senhora já cá não está e a casa vai ser demolida e…
-Como a senhora já cá não está? Mas ainda ontem me disse que hoje voltava. Ela volta sempre!
Os homens olharam-no, entreolharam-se:
-Mas conheciam-se assim tão bem?
O jardineiro ficou por momentos sem conseguir articular palavra!
“Acaso estaria aquela gente a pensar o quê???”
-Sempre me tratou com o maior respeito, sempre!
Incapaz de perguntar aquilo que mais receava que tivesse acontecido, olhou em volta, procurando o banco.
Vazio…
Não, vazio, não!
Pediu licença, deixou os dois a conversar, ainda os ouviu falar em guindastes, piscina para os miúdos, mas os seus olhos fitavam um pontinho branco.
Aproximou-se mais e viu então o lenço, preso ao alfinete.
Ao lado, havia uma folhinha de papel cuidadosamente dobrada.
Não quis saber se o olhavam, sequer nisso pensou. Sentou-se e abriu. Caíram-lhe duas pétalas da rosa matizada no colo…
Meu bom Amigo,
Eu disse que a rosa morreria se a cortasses tal como eu morria cada vez que eu subia a escada quando a noite chegava…
Não estranhes ver tanta gente aqui em casa! Provavelmente ouvirás que será demolida, transformada. Cuidei que pudesses continuar a ter as tuas flores. Foste um fiel companheiro das minhas horas.
Deixo-te o endereço de alguém que sempre tratou das minhas coisas. Ele te dará todas as indicações e ajudar-te-á para que tu e a tua mulher possam ter uma casa com um jardim.
Promete-me apenas uma coisa. Que conseguirás ter uma outra rosa matizada pois que aquela outra, eu cortei, para levar comigo, quando percebi que havia chegado a hora de subir a escada.
Perdoa não te ter acenado nem te ter dito que voltaria.
Para onde vou, haverá um jardim, mas poderás ter a certeza que não será tão bonito nem tão bem cuidado como este o foi, por ti, e, rosas matizadas haverá apenas esta, que trarei sempre comigo.
Guarda esse casal de pétalas.
Sabes lá do que elas são capazes de fazer?…
Estou a ver-te sorrir, Amigo. Recordas-te daquela tua história? A graça que eu te achei!
Deixo-te o lenço e o alfinete.
És sem dúvida a pessoa mais indicada para ficar com eles, pois assim, quando os olhares, saberás que estarei sentada no banco, no teu jardim, a ver-te falar com toda a ternura com as tuas princesas.
Não chores, não sintas pena, porque parto feliz.
Trabalhaste para mim um bom par de anos. Quem te contratou foi o meu marido e, penso agora, imaginando como vou terminar este meu recado, sem haver lugar a despedidas, que sempre me trataste por senhora, que nunca me perguntaste o nome.
Com muito apreço por todos estes anos de boa companhia, ao único jardineiro que conheci que falava com as flores,
Rosa
Dobrou a folha com muito cuidado, pegou no lenço alvo de neve, quase tão alvo como os cabelos da senhora e saiu.
Na carteira, junto à fotografia da sua mãe, colocou as duas pétalas de rosa.
Ainda ouviu que por ele chamavam.
Não quis saber.
Não olhou para trás, não olhou as escadas. Levava com ele a imagem daquela que foi tão sua amiga, que o olhava, sentada naquele banco de jardim e quando chegou a casa, abraçou a sua mulher e chorou…
Perdoa-me a enormidade do comentário, mas,não resisti.
Seria esta a fotografia perfeita para este conto.
Bom fim de semana para ti e os teus
Líndissimo este banco!
“Há um banco no jardim…” que sempre que passo por ele ocupo-o, delicio-me com a paisagem e fico piursa por ser o alvo predilecto da passarada.
Esta foto está linda, mas gostaria de a ver “a cores”.
Quando puderes vai até lá já que tu serás a pessoa mais indicada para me ilucidares sobre uma questão
PS: não podia ficar indiferente ao comentário da Cris, a minha fiota mais nita
Um resto de domingo feliz e chuvoso, porque para muitos é incómodo mas não se esqueçam que a capacidade da captação da mesma já está quase nos 80%. Ufa…o verão está salvo
Sol,
Sim, quantas histórias não conhecerão, quantos segredos, quantas promessas não escutaram? Quantos bons momentos não proporcionaram? Quantas desilusões não aconchegaram?
Cris,
Sem jeito agora eu… Como comentar um comentário assim? O que dizer senão que me sinto orgulhoso de teres incluído aqui este belíssimo conto. E quão insignificante que, de repente, a foto me parece! Ou deverei dizer que ganhou outra dimensão?
Um momento alto este. E gratificante!
Maria,
Senta-te e fica à vontade. É meu privilégio!
Fatyly,
Pois, e quem poderia ficar indiferente a um texto destes?
Graça,
Não, não estava. Parece é que cada vez menos se passeia e se desfruta dos bons recantos que ainda existem por aí… prefere-se outros poisos, julgo, mais “vistosos”…
Espectacular a tonalidade do banco, realçando-o, em contraste com a árvore. Ou como motivos simples e nada rebuscados podem dar excelentes fotos. Gosto muito.
Voltei para dizer que estive a ler o texto (que de comentário tem pouco) da Cris. Belíssimo conto, digno de uma grande escritora que, acredito, a Cris será.
Peço-te desculpa de usar este espaço assim mas, o texto é demasiado belo para o deixar passar sem uma referência. Fez-me lembrar Mia Couto…
Belíssima esta fotografia…e um desperdício este banco vazio, ideal para se ler um livro num fim de tarde de primavera onde o calor ainda não é demasiado para incomodar
Luis, eu já tenho este conto há tempos. Na altura foi para o site sem qualquer foto.
Quando vim aqui ver(sabes que ganhaste uma fã, verdade!) olhei a foto e fiquei deliciada. Era mesmo aquilo que faltava, entendes?
Desculpa ter usado o espaço. De forma alguma quis promover o meu espaço. Mas achei que irias gostar de ver como um conto consegue não se tornar redundante com uma foto.Completou-o. E tal como senti, nem pensei duas vezes, e, quis dar-to como se fosse o espaço onde se está, daqui, “deste lado”, a ver uma foto, um momento lindíssimo!
Quanto ao que disse o JA, quem dera eu, um dia, escrever como o Mia Couto!
Bom que tenhas gostado. Foi uma forma de te dizer que gosto imenso do teu trabalho!
Quando vieres a Braga, prometo-te uma visita ao Museu de Imagem, com um fotógrafo que também adoro (o meu irmão…ehehehe)e vais ver um levantamento de muitas fotos da já desaparecida Foto Aliança! Notável! Tenho o livro.
Basta que me dês o teu endereço que terei imenso prazer em oferecer-to.
Bom, não te maço mais…rsss
Beijo, Luis
Bom resto de dia com boas imagens.
Belíssima a imagem, belíssimo também o conto da Cris que não resisti à leitura. Homem afortunado tu, que te mimam assim
mereces !
Deixo eu também aqui um poema do Nuno Júdice para dar corpo à tua imagem . Um grande para outro grande
Ao cair da Noite
No banco do jardim, como numa sala de espera,
pergunta se alguém virá para a buscar, antes
que a noite chegue. E eu, do outro lado do tempo,
abro o caderno para lhe escrever: «Um dia
saberás o que disseram todas as cartas
que não abriste; e perante o vazio a que
a tua vida se resume, responderás que
pouco importa o tempo, quando a eternidade
te cobriu com a sua noite, há muito.»
Depois, vou ao correio. «Esqueceu-se
de pôr a morada», diz-me o empregado.
«Não sei para quem escrevo», digo-lhe.
E meto na caixa o envelope em branco
para que alguém, um dia, o descubra num
fundo de posta restante. E ao ler o que
lhe escrevi, talvez se sente num banco
de jardim, pouco antes da noite, pensando
no que é a vida em que todo o futuro se
fixa nesse instante que não chegou a ser.
Posso sentar-me neste belo recanto?
É que uma anemia veio ao meu encontro e preciso de um lugar tranquilo para falar com ela e convencê-la a abandonar este corpo que só enxerga bancos para descansar.
Logo, logo estarei a correr por aí.Agradeço a preocupação.
19/04/2008 at 23:28
Maravilha de imagem!
Não só o banco, também a árvore, tantas histórias contam em silêncio…
Um beijinho
20/04/2008 at 0:30
O Jardim
Era exímio na arte de bem cuidar do jardim.
Tantas vezes o iam encontrar ajoelhado, acariciando uma folha, roçando a pontinha do dedo indicador com cuidado sobre a face da pétala de uma rosa.
Ao fim da tarde, no Verão, quando o sol já não apertava, a senhora descia e vinha sentar-se no banco, e por ali ficava.
Por vezes permanecia calada, tricotando a vida que passara, desfazendo uns pontos, passajando outros.
Ele sabia que ela gostava de se sentar ali, de olhar as flores.
Na hora de retornar a casa, ia acordá-la, de mansinho, dizendo que já estava anoitecendo e que ela se poderia constipar.
A velha senhora levantava-se, subia as escadas e desaparecia, sem nunca antes deixar de lhe fazer um aceno, aquele “amanhã eu venho” de que ele gostava tanto, tanto!
Outras vezes? Outras vezes ela estava faladora e fazia perguntas que o faziam contar mil e tantas histórias das suas “princesas”!
-Olha, já viste? Aquela está mais murchita!
-Não, minha senhora! Ela está é a pensar na melhor forma de me convencer a mudá-la de sítio…
-Disparate! As flores não pensam! Eu estou a ficar velhota, mas olha que tu não me ficas atrás! Triste porque quer mudar de sítio! Tens cada uma!…
-É verdade! Não vê que ali, naquele outro canteiro, está um girassol que não deixa de a olhar?
-Ai! Não querem lá ver? Agora as flores também se perdem de amores?
E era ver os dois a conversar.
Depois ela voltava para o seu mundo, sentada no banquinho e ficava a olhar, de olhos postos no longe…
O jardineiro continuava na sua lida e lá conversava com a sua “menina” e convencia-a que tinha que ficar naquele espaço um pouquinho mais, para que as suas filhinhas crescessem…
-Ah! Que linda! Matizada! Nunca tinha visto uma rosa assim! Mas aqui à volta só há rosas vermelhas! Como pode esta ter saído assim?
-Pois é, senhora! Sabe lá o que elas são capazes de fazer por baixo da terra!…
E sorria, maroto.
-Quer que a corte e leva-a para a por numa jarra?
-Não! Nem penses! Sabes que aqui é que elas estão bem.
Lá em cima morreriam, tal como eu, quando subo a escada, ao cair da noite…
O velho jardineiro olhou-a. Há muito que não a vinham visitar. Chegara a conversar com a mulher, em casa, como seria que ela se arranjaria, assim, tão só?
Havia dispensado a criada, os filhos nunca mais vieram e do senhor…apenas o lenço que ela trazia sempre preso com um alfinete, como se fosse uma jóia.
-Mas nunca lhe perguntaste nada sobre isso?
-Aquela senhora é de pouca conversa. Vive naquele casarão, e desde que o senhor se foi, a alegria desapareceu dos olhos dela. Chego a perguntar-me o que irá ser de tudo quando ela se for.
-Mas paga-te bem! Terá por certo quem cuide dela, dos dinheiros. E olha que não terá pouco, a ver pelo tamanho da casa, do sítio onde está.
-Pois se há, eu nunca vi por ali ninguém! E deixa-me ir, que já vão sendo horas e tenho a sebe para aparar.
Havia muitos carros estacionados defronte da casa.
Gente que ele nunca tinha visto, muita criança a passear pelo jardim, as janelas abertas e uns homens a conversar, a gesticular até que um lhe veio perguntar quem ele era.
-Trato deste jardim há um bom par de anos e como podem ver, tenho o maior orgulho nas minhas plantas.
-Que saibamos as plantas não são suas!
-Maneira de falar! A senhora sempre me dizia que achava que eu cuidava tão bem das rosas que pareciam ser minhas!
-Pois, mas a senhora já cá não está e a casa vai ser demolida e…
-Como a senhora já cá não está? Mas ainda ontem me disse que hoje voltava. Ela volta sempre!
Os homens olharam-no, entreolharam-se:
-Mas conheciam-se assim tão bem?
O jardineiro ficou por momentos sem conseguir articular palavra!
“Acaso estaria aquela gente a pensar o quê???”
-Sempre me tratou com o maior respeito, sempre!
Incapaz de perguntar aquilo que mais receava que tivesse acontecido, olhou em volta, procurando o banco.
Vazio…
Não, vazio, não!
Pediu licença, deixou os dois a conversar, ainda os ouviu falar em guindastes, piscina para os miúdos, mas os seus olhos fitavam um pontinho branco.
Aproximou-se mais e viu então o lenço, preso ao alfinete.
Ao lado, havia uma folhinha de papel cuidadosamente dobrada.
Não quis saber se o olhavam, sequer nisso pensou. Sentou-se e abriu. Caíram-lhe duas pétalas da rosa matizada no colo…
Meu bom Amigo,
Eu disse que a rosa morreria se a cortasses tal como eu morria cada vez que eu subia a escada quando a noite chegava…
Não estranhes ver tanta gente aqui em casa! Provavelmente ouvirás que será demolida, transformada. Cuidei que pudesses continuar a ter as tuas flores. Foste um fiel companheiro das minhas horas.
Deixo-te o endereço de alguém que sempre tratou das minhas coisas. Ele te dará todas as indicações e ajudar-te-á para que tu e a tua mulher possam ter uma casa com um jardim.
Promete-me apenas uma coisa. Que conseguirás ter uma outra rosa matizada pois que aquela outra, eu cortei, para levar comigo, quando percebi que havia chegado a hora de subir a escada.
Perdoa não te ter acenado nem te ter dito que voltaria.
Para onde vou, haverá um jardim, mas poderás ter a certeza que não será tão bonito nem tão bem cuidado como este o foi, por ti, e, rosas matizadas haverá apenas esta, que trarei sempre comigo.
Guarda esse casal de pétalas.
Sabes lá do que elas são capazes de fazer?…
Estou a ver-te sorrir, Amigo. Recordas-te daquela tua história? A graça que eu te achei!
Deixo-te o lenço e o alfinete.
És sem dúvida a pessoa mais indicada para ficar com eles, pois assim, quando os olhares, saberás que estarei sentada no banco, no teu jardim, a ver-te falar com toda a ternura com as tuas princesas.
Não chores, não sintas pena, porque parto feliz.
Trabalhaste para mim um bom par de anos. Quem te contratou foi o meu marido e, penso agora, imaginando como vou terminar este meu recado, sem haver lugar a despedidas, que sempre me trataste por senhora, que nunca me perguntaste o nome.
Com muito apreço por todos estes anos de boa companhia, ao único jardineiro que conheci que falava com as flores,
Rosa
Dobrou a folha com muito cuidado, pegou no lenço alvo de neve, quase tão alvo como os cabelos da senhora e saiu.
Na carteira, junto à fotografia da sua mãe, colocou as duas pétalas de rosa.
Ainda ouviu que por ele chamavam.
Não quis saber.
Não olhou para trás, não olhou as escadas. Levava com ele a imagem daquela que foi tão sua amiga, que o olhava, sentada naquele banco de jardim e quando chegou a casa, abraçou a sua mulher e chorou…
Perdoa-me a enormidade do comentário, mas,não resisti.
Seria esta a fotografia perfeita para este conto.
Bom fim de semana para ti e os teus
Líndissimo este banco!
Beijo,
Cris
20/04/2008 at 5:11
Posso sentar-me e ficar a olhar este B&W lindíssimo?
Beijo
20/04/2008 at 10:53
“Há um banco no jardim…” que sempre que passo por ele ocupo-o, delicio-me com a paisagem e fico piursa por ser o alvo predilecto da passarada.
Esta foto está linda, mas gostaria de a ver “a cores”.
Quando puderes vai até lá já que tu serás a pessoa mais indicada para me ilucidares sobre uma questão
PS: não podia ficar indiferente ao comentário da Cris, a minha fiota mais nita
Um resto de domingo feliz e chuvoso, porque para muitos é incómodo mas não se esqueçam que a capacidade da captação da mesma já está quase nos 80%. Ufa…o verão está salvo
20/04/2008 at 17:56
Um lugar tão lindo e o banco vazio? Estava molhado, pela certa.
Beijinho
20/04/2008 at 18:19
Sol,
Sim, quantas histórias não conhecerão, quantos segredos, quantas promessas não escutaram? Quantos bons momentos não proporcionaram? Quantas desilusões não aconchegaram?
Cris,
Sem jeito agora eu… Como comentar um comentário assim? O que dizer senão que me sinto orgulhoso de teres incluído aqui este belíssimo conto. E quão insignificante que, de repente, a foto me parece! Ou deverei dizer que ganhou outra dimensão?
Um momento alto este. E gratificante!
Maria,
Senta-te e fica à vontade. É meu privilégio!
Fatyly,
Pois, e quem poderia ficar indiferente a um texto destes?
Graça,
Não, não estava. Parece é que cada vez menos se passeia e se desfruta dos bons recantos que ainda existem por aí… prefere-se outros poisos, julgo, mais “vistosos”…
Beijinhos
21/04/2008 at 1:45
Gosto da luz e da composição. Tem um ar antigo…
Parece-me o Jardim Botânico (mas pode ser noutro lugar, claro…
Bjs
21/04/2008 at 9:18
Espectacular a tonalidade do banco, realçando-o, em contraste com a árvore. Ou como motivos simples e nada rebuscados podem dar excelentes fotos. Gosto muito.
Um abraço
21/04/2008 at 9:47
Voltei para dizer que estive a ler o texto (que de comentário tem pouco) da Cris. Belíssimo conto, digno de uma grande escritora que, acredito, a Cris será.
Peço-te desculpa de usar este espaço assim mas, o texto é demasiado belo para o deixar passar sem uma referência. Fez-me lembrar Mia Couto…
Outro
21/04/2008 at 15:30
Belíssima esta fotografia…e um desperdício este banco vazio, ideal para se ler um livro num fim de tarde de primavera onde o calor ainda não é demasiado para incomodar
Beijinho e boa semana
21/04/2008 at 17:41
Líndo!
Adoro fotos assim, simples e bonitas!
Tenho uma tão parecida….
Temos bom gosto! Hehe!
21/04/2008 at 19:34
Luis, eu já tenho este conto há tempos. Na altura foi para o site sem qualquer foto.
Quando vim aqui ver(sabes que ganhaste uma fã, verdade!) olhei a foto e fiquei deliciada. Era mesmo aquilo que faltava, entendes?
Desculpa ter usado o espaço. De forma alguma quis promover o meu espaço. Mas achei que irias gostar de ver como um conto consegue não se tornar redundante com uma foto.Completou-o. E tal como senti, nem pensei duas vezes, e, quis dar-to como se fosse o espaço onde se está, daqui, “deste lado”, a ver uma foto, um momento lindíssimo!
Quanto ao que disse o JA, quem dera eu, um dia, escrever como o Mia Couto!
Bom que tenhas gostado. Foi uma forma de te dizer que gosto imenso do teu trabalho!
Quando vieres a Braga, prometo-te uma visita ao Museu de Imagem, com um fotógrafo que também adoro (o meu irmão…ehehehe)e vais ver um levantamento de muitas fotos da já desaparecida Foto Aliança! Notável! Tenho o livro.
Basta que me dês o teu endereço que terei imenso prazer em oferecer-to.
Bom, não te maço mais…rsss
Beijo, Luis
Bom resto de dia com boas imagens.
21/04/2008 at 19:34
Belíssima a imagem, belíssimo também o conto da Cris que não resisti à leitura. Homem afortunado tu, que te mimam assim
mereces !
Deixo eu também aqui um poema do Nuno Júdice para dar corpo à tua imagem . Um grande para outro grande
Ao cair da Noite
No banco do jardim, como numa sala de espera,
pergunta se alguém virá para a buscar, antes
que a noite chegue. E eu, do outro lado do tempo,
abro o caderno para lhe escrever: «Um dia
saberás o que disseram todas as cartas
que não abriste; e perante o vazio a que
a tua vida se resume, responderás que
pouco importa o tempo, quando a eternidade
te cobriu com a sua noite, há muito.»
Depois, vou ao correio. «Esqueceu-se
de pôr a morada», diz-me o empregado.
«Não sei para quem escrevo», digo-lhe.
E meto na caixa o envelope em branco
para que alguém, um dia, o descubra num
fundo de posta restante. E ao ler o que
lhe escrevi, talvez se sente num banco
de jardim, pouco antes da noite, pensando
no que é a vida em que todo o futuro se
fixa nesse instante que não chegou a ser.
Nuno Júdice
Beijinho
22/04/2008 at 0:46
E apetece ficar aqui a descansar…
Vou mesmo sentar-me um pouquinho!
Abraço
22/04/2008 at 12:29
Paula,
Sim, pode ser outro qualquer belo lugar como esse…
J,
Obrigado. Estás à vontade!
Ka,
Então não? Especialmente com calor… já imaginaste a bela e fresca sombra que por ali pode haver?
Natalie,
Nem mais! Somos pessoas de bom gosto pois.
Cris,
Ninguém pensou que te estivesses a promover… A foto ganha outra dimensão com um texto assim. Pena eu não conseguir juntar letras assim…
Gi,
Um belo poema do Júdice realmente, obrigado. Com as maravilhas que vocês têm a amabiliade de aqui pôr, a foto parece fazer sentido…
Rosa,
Senta-te, descansa. É um prazer!
Um Abraço a todos
23/04/2008 at 22:14
Posso sentar-me neste belo recanto?
É que uma anemia veio ao meu encontro e preciso de um lugar tranquilo para falar com ela e convencê-la a abandonar este corpo que só enxerga bancos para descansar.
Logo, logo estarei a correr por aí.Agradeço a preocupação.
Beijinho
23/04/2008 at 22:32
Sine,
Espero que essa visita se ponha a milhas rapidamente! Pode ser que este recanto contribua…
Beijinho
24/04/2008 at 11:58
linda!
Adoro P&B, mas essa ficou mesmo gira! traduz um silêncio e desncanso este local!